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Entre plantões e emergências, médica reaprende crochê para garantir 'polvinhos' que acolhem bebês na UTI neonatal em Juiz de Fora

Médica faz 'polvinhos' de crochê para bebês internados na UTI em Juiz de Fora Entre incubadoras, plantões e emergências, a pediatra Fabiana Nogueres reapr...

Entre plantões e emergências, médica reaprende crochê para garantir 'polvinhos' que acolhem bebês na UTI neonatal em Juiz de Fora
Entre plantões e emergências, médica reaprende crochê para garantir 'polvinhos' que acolhem bebês na UTI neonatal em Juiz de Fora (Foto: Reprodução)

Médica faz 'polvinhos' de crochê para bebês internados na UTI em Juiz de Fora Entre incubadoras, plantões e emergências, a pediatra Fabiana Nogueres reaprendeu a técnica do crochê e começou a confeccionar 'polvinhos' para os recém-nascidos internados na UTI Neonatal do Hospital Albert Sabin, em Juiz de Fora. Desde que começou, a médica já entregou mais de 100 peças feitas à mão. Cada 'polvinho' acompanha o bebê durante todo o período de internação e, após a alta, vira uma lembrança para a família. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Como tudo começou Pediatra reaprende crochê para confeccionar 'polvinhos' para bebês na UTI neonatal Elton Moreira/TV Integração A iniciativa chegou ao Hospital Sabin há cerca de sete anos, quando a UTI Neonatal adotou o 'Projeto Octo', criado na Dinamarca. No início, os 'polvinhos' eram doados por voluntários. A decisão de Fabiana de aprender a técnica surgiu na própria UTI, após ela observar uma mãe que passava as horas de internação do filho e produzia 'polvinhos' de crochê para outros bebês. "Ela tinha o filho internado e, mesmo naquele momento tão difícil, dedicava o tempo à produção de 'polvinhos' para doação. Aquilo me marcou muito", relembrou a pediatra. Embora não praticasse crochê desde a infância, quando aprendeu os primeiros pontos com a avó, a médica retomou a técnica rapidamente. "Foi como andar de bicicleta", brincou. Pediatra já confeccionou mais de 100 'polvinhos' para pacientes internados na UTI Neonatal Redes Sociais/Reprodução Um companheiro na incubadora Para acompanhar os pacientes, a médica ressalta que cada 'polvinho' atende a rigorosos critérios de segurança hospitalar. As peças são feitas com fio 100% algodão, seguem medidas padronizadas e passam por esterilização antes de serem colocadas nas incubadoras, o que ajuda a evitar infecções. Para a pediatra, o projeto também oferece suporte emocional aos pais. "As famílias se sentem acolhidas quando percebem que a equipe vai além do tratamento físico. Elas sabem que o bebê não está sozinho na incubadora e que tem um 'amigo polvo'", explica Fabiana. No início do projeto, Fabiana levava cerca de três dias para concluir um 'polvinho'. Com a prática, hoje produz até dois por dia nos momentos de descanso. "Cuidar de um bebê significa acolher também a história que começa ali e a família que o recebe. Ver uma criança superar uma fase difícil e levar esperança aos pais é a maior recompensa", conclui a pediatra. Acolhimento na prática Maria Luísa na UTI Neonatal com o 'polvinho' e, depois, já crescida Arquivo Pessoal A administradora Roberta Maira da Silva Muniz Gaspar conhece bem a apreensão de uma UTI Neonatal. A filha Maria Luísa, atualmente com 4 anos, nasceu prematura extrema, com 36 semanas de gestação, e pesava apenas 1,1 kg. A menina ficou 45 dias na UTI por causa de complicações respiratórias e intestinais graves. Nesse período, o 'polvinho' trouxe conforto. "Nós o chamamos de 'polvinho do amor'. Saber que ela tinha aquela companhia me dava segurança. A doutora Fabiana fez toda a diferença pelo olhar humanizado", contou Roberta. Mesmo após a internação, Maria Luísa ainda guarda o 'amigo polvo'. Benjamin Lins Brandão na UTI Neonatal com o 'polvinho' e, depois, já crescida Redes Sociais/Reprodução Outro bebê que recebeu um 'polvinho' foi Benjamin Lins Brandão, de quase 2 anos. Ele nasceu prematuro, com 33 semanas, após uma gravidez natural inesperada, e passou 28 dias na UTI. A mãe, a administradora Iale de Andrade Lins, destaca a sensação de familiaridade do objeto. "O ambiente da UTI é muito agressivo. Os tentáculos do polvo lembram o cordão umbilical e acalmam. O Benjamin é um milagre, e o 'polvinho' dele continua guardado com muito carinho no quarto". O 'Projeto Octo' Criado em 2013 na Dinamarca, o 'Projeto Octo' tem como foco a humanização do ambiente hospitalar. O formato do brinquedo simula o útero materno: o toque nos tentáculos acalma os recém-nascidos e evita que eles puxem sondas, cateteres e outros acessos essenciais. Como o uso se baseia em protocolos internos de cada hospital, as diretrizes variam. O g1 procurou o Ministério da Saúde para verificar se há uma recomendação oficial sobre o uso das peças nas UTIs públicas, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. Médica reaprende crochê para produzir 'polvinhos' que acolhem bebês na UTI Neonatal em Juiz de Fora Arquivo Pessoal VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes